Profilaxia Pós-Exposição

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Profilaxia pós-exposição: A “pílula do dia seguinte” que evita a Aids

 

Um jovem chega desesperado na consulta, logo na segunda-feira pela manhã. Pediu um encaixe e está com cara de quem passou a noite em claro. Conta a história: foi pra “balada”, bebeu demais, encontrou alguém de quem nem se lembra direito e tiveram relações sexuais. Sabe que não não usaram camisinha. Agora, está com medo: e se ficar doente? Esta é uma cena muito comum nos consultórios.

Desde os anos 90 sabe-se que o uso de medicamentos antirretrovirais, o chamado “coquetel”, pode reduzir o contágio pelo vírus da Aids. Inicialmente oferecido para vítimas de violência sexual e profissionais de saúde que expõe-se profissionalmente ao vírus por acidentes com materiais contaminados, desde 2012 é indicado também para pessoas que mantiveram relações sexuais com risco de transmissão. Recentemente houve um avanço desta terapia, possibilitando o uso de medicamentos em dose única diária, facilitando a adesão.

Com a possibilidade do uso após a relação sexual, seu uso tem sido cada vez mais frequente, mas algumas condições devem ser lembradas. O tempo de início da medicação é importante e está relacionado a um menor risco de contágio, sendo que o limite é de 72 horas após a relação sexual.

Para poder receber os medicamentos o paciente deve procurar um infectologista que prescreva as medicações e dê as orientações corretas, pois determinam-se as condições da exposição e a profilaxia é indicada da melhor maneira possível. Isso pode ser realizado em consultório particular ou em uma unidade de saúde de referência, como o Serviço de Assistência Especializada em HIV/Aids, que atende o SUS. Em situações de emergência ou indisponibilidade do especialista, o melhor é procurar uma UPA para iniciar precocemente a medicação e depois realizar a consulta especializada.

Antes de tomar o medicamento o paciente deve passar por exames de sangue que indicarão se a pessoa já tem o vírus da Aids ou não, e é feita uma coleta de sangue para outras doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e hepatites B e C. Se os exames não detectarem o HIV, é indicado o tratamento, composto por 3 comprimidos que devem ser ingeridos juntos com alimentos uma vez ao dia, por 28 dias. Os efeitos colaterais, apesar de comuns, costumam ser leves na maioria dos casos e totalmente reversíveis após o término da profilaxia, devendo ser acompanhados pelo médico. Normalmente limitam-se a enjôos, cefaleia e icterícia, que é o amarelamento da conjuntiva dos olhos. Após esse prazo serão realizados exames regulares para confirmar o sucesso do tratamento, durante 3 meses.

Essa estratégia que agora é oferecida é valiosa e certamente evitará contaminações pelo vírus da Aids, porém a melhor opção ainda é o uso de preservativos durante as relações sexuais.

 

*** Este texto foi publicado também na revista Mídia e Saúde, de dezembro/2015

Dr. Luiz Jorge Moreira Neto - Infectologista
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