HIV e Aids em Maringá: qual o panorama atual?

A Aids, doença que redefiniu a infectologia a partir da década de 80, passou por várias fases desde seu início. De uma doença letal em 100% dos casos tornou-se uma patologia com esperança de tratamento com a chegada da terapia antirretroviral, chamada então de coquetel pela enorme quantidade de comprimidos ingeridos por dia. Nesta época, pacientes com quadros avançados passaram a melhorar, revertendo o quadro de imunodepressão em alguns meses, conseguindo retomar suas atividades normais. Na ocasião o Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de DST e Aids, que garantiu o acesso a medicação a todas as pessoas acometidas por HIV e Aids e que ainda é modelo para muitos países.
Com a evolução dos tratamentos, o número e o efeito colateral dos comprimidos foi diminuindo e a expectativa de vida melhorou. Hoje temos tratamentos com apenas 1 comprimido ao dia e poucos efeitos adversos, tornando possível conviver com esta patologia sem grandes problemas. Melhorias nos métodos para o diagnóstico do HIV e das infecções oportunistas causaram o aumento da expectativa de vida, resultando em um ampliação do número de pessoas vivendo com HIV e Aids.

Atualmente a região de Maringá tem cerca de 2000 pessoas em tratamento de Aids, sendo que 70% fazem acompanhamento pelo SUS e 30% através de clínicas privadas de infectologia. Este número aumentou cerca de 66% em 5 anos, em grande parte pela decisão dos infectologistas do Ministério da Saúde que decidiram indicar o tratamento a todos os pacientes diagnosticados. Antes de 2014 era necessário aguardar que o vírus causasse a queda de imunidade, mensurada através do exame de contagem de células CD4, para iniciar o uso da terapia. Desde então, basta ter o diagnóstico em mãos para iniciar o uso da medicação. Esta decisão foi tomada quando surgiram evidências da diminuição da transmissibilidade em pessoas infectadas que tomam o remédio adequadamente para as não infectadas, pois a quantidade de HIV presente nas secreções infectantes nesta situação é infinitamente menor.

Dos pacientes com diagnóstico de HIV e Aids em acompanhamento pelo SUS na cidade de Maringá, cerca de 60% optou por iniciar a terapia, sendo que muitos dos que não tomam o coquetel o fizeram por abandono do tratamento ou mesmo mudança do local do acompanhamento e contaminam esta estatística por permanecerem na base de dados. Mesmo assim, o número ainda é baixo e pode significar também a baixa escolaridade desta população – metade dos pacientes tem apenas o primeiro grau completo. Apenas para comparação, em consultórios privados a proporção de pessoas em tratamento é próxima de 100%, não recebendo terapia apenas as pessoas que efetivamente não o desejam.

Em relação ao sexo, 63,9% dos pacientes são do sexo masculino e 36,1% do sexo feminino, o que mostra um aumento de casos em homens nos últimos anos. A faixa etária mais afetada pela doença é a 35 a 49 anos, com 40,9% dos casos, seguida pela faixa de 20 a 34 anos, com 27,76% dos casos. Chama a atenção a faixa acima de 60 anos, que em 2009 era responsável por 0,37% dos casos e hoje por 7,18%, refletindo o aumento da sobrevida das pessoas contaminadas e também o aumento da atividade sexual neste grupo, muitas vezes estimulado por drogas como a Sildenafila (Viagra).

Tendo em vista estes dados, podemos concluir que o atendimento a esta doença tem sido de sucesso, em grande parte pelo esforço de todos os infectologistas, enfermeiros, psicólogos e farmacêuticos envolvidos em informar as pessoas e estimular o paciente a tomar a medicação, apesar dos efeitos colaterais e do estigma que a Aids carrega. Ainda que o programa do Ministério da Saúde tenha algumas falhas, o acesso universal a medicação é uma característica que deve ser preservada.

aids mao

Informações disponibilizadas pelo SAE – Serviço de Atendimento Especializado da Secretaria de Saúde de Maringá e pela Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Maringá.

2 thoughts on “HIV e Aids em Maringá: qual o panorama atual?

  1. Bom dia Dr.

    Eu paciente clinicamente comprovado pelo HIV, faço acompanhamento e uso das medicações retrovirais hoje disponíveis, posso garantir que por experiencia própria que os efeitos colaterais devem ser adversos entre um paciente e outro, Ma podem ignorar que ela não existem, como paciente tenho sofrido muito com esses efeitos, entre eles bem visíveis como inchado e dores nos peitos, aumento de glândula (íngua embaixo do queixo), dores no corpo, além das desorientações nos sistemas psicológicos, eu acredito que cada pessoa tem um processo parecido ou diferenciado mas tem os efeitos colaterais que nos deixam com auto estimas muito baixa, tem dia que não dá vontade de sair da cama, já tem dia ser capaz de carregar o dobro do meu peso.
    Quanto a equipe médica a qual sou atendida isso, são todos muito bom e ótimos, eu acredito que com o tempo a gente acaba se acostumando com isso, mas que esses efeitos colaterais sintomáticos desaparecem, eu acredito ainda que muitas pessoas em tratamento acabam simplesmente trocando sua auto sobrevivência pela efeitos que os remédios causam, mas eles existem e estão ai. hoje eu sofro com esses efeitos e médica faz de tudo para tornar minha vida mais confortável e eu agradeço. tenho feito estudos e acompanhado tudo sobre o HIV, e ele ainda está fazendo muita vítima seja direta ou indiretamente.
    Dessa forma venho respeitosamente saber, que perspectiva real de paciente soro positivo.
    Att.
    J.M S

    1. Por enquanto sem perspectiva de cura, mas os novos antirretrovirais são mais potentes e com menos eventos adversos. Agradeço a pergunta e continue se cuidando! Se um dia a cura chegar, você tem que estar bem para recebê-la!

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *